Como funciona o café?

Por Manuel Schutze*

Todo mundo já ouviu falar das propriedades do café de “tirar” o sono, seja como advertência para que não o tomássemos à noite (senão não íamos dormir), seja como sugestão para uma noite prolongada de estudo. Mas como essa bebida tão presente na vida do estudante realmente funciona?

O princípio ativo do café é a 1,3,7-trimetilxantina, um pó branco e amargo mais conhecido como cafeína. A cafeína presente em um copo de café coado equivale à de 2 copos de chá mate ou 7 copos de Coca Cola. A cafeína também está presente em energéticos como o pó-de-guaraná. A cafeína atua no corpo de várias maneiras.

Primeiro, ela age sobre os receptores de adenosina, que é um neurotransmissor responsável pela diminuição da atividade cerebral para podermos dormir. Com os receptores bloqueados, a atividade neural aumenta. Com esse aumento, a glândula hipófise estimula a glândula adrenal a liberar adrenalina. Como você sabe, a adrenalina deixa o corpo alerta para uma situação de perigo.

Além disso, a cafeína bloqueia uma enzima chamada fosfodiesterase, que atua na diminuição dos efeitos da adrenalina. Com isso, o estado de alerta do corpo dura mais tempo.

A cafeína ainda aumenta os níveis sanguíneos de dopamina, um outro neurotransmissor, que está relacionado com o prazer.

Resumindo. A cafeína, a curto prazo, impede que você durma porque bloqueia a adenosina; de dá mais “energia” pois causa a liberação de adrenalina, e te faz sentir melhor, pois manipula a produção de dopamina.

No entanto, a longo prazo, a ingestão de cafeína pode levar ao vício, além de ter um influência negativa sobre o sono. Isso porque o tempo de meia-vida da cafeína é de 6h. Portanto, se você beber uma xícara de café (que tem aproximadamente 200mg de cafeína) às 15:00h, terá cerca de 100mg no sangue às 21:00h. Você pode até dormir, mas provavelmente não vai usufruir dos benefícios do sono profundo. No dia seguinte, se sentirá cansado e precisará de mais cafeína para se sentir melhor.

Concluindo: se você não trabalha ou estuda bem sem tomar uma xícara de café, é porque provavelmente já está viciado. Então, que tal reduzir a dose e experimentar bebidas menos concentradas, como o chá mate?

* Manuel Schutze é estudante de medicina na UFMG e escreve regularmente no Espaço Saúde. Saber mais sobre este autor.

Referências bibliográficas

- Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia celular: www.sbbq.org.br/revista/mtdidaticos/20.pdf
- Mecanismos do ciclo Sono-vigília: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v27s1/24474.pdf
- As glândulas endócrinas: http://www.isurp.com.br/aula/ciencia/Marcio/marcio/glandulas.htm
- Introdução à endocrinologia: http://www2.ufp.pt/~pedros/qfisio/hormonas1.htm
- Adrenaline animation: http://courses.washington.edu/bchem442/Adrenaline.html
- Chá e cafeína: http://saude.sapo.pt/gkB3/569275.html

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