O Bloco Cirúrgico

Por Manuel Schutze*

Esse texto é destinado pra aqueles que vão passar por uma cirurgia ou que possuem algum parente ou amigo a ser operado e querem estar por dentro do que vai acontecer no bloco cirúrgico. Mas se você simplesmente está curioso sobre o assunto, você também pode lê-lo!

O bloco cirúrgico é um ambiente, geralmente em um andar ou setor de um hospital, onde se tenta reduzir o máximo possível a presença de germes do exterior. Afinal, esses danadinhos podem facilmente penetrar na ferida aberta durante uma cirurgia e causar uma infecção. Por isso, existem várias medidas de segurança usadas. Pra começar, todos os profissionais dentro do bloco (cirurgiões, enfermeiras, técnicos, etc) usam uma "roupa do bloco" que é fornecida pelo hospital e lavada diáriamente, além de máscara, gorro (touca)e uma espécie de meia que vai sobre os tênis ou sapatos. Os pacientes a serem operados geralmente usam um avental com abertura para trás e o gorro. Esse avental permite fácil acesso a barriga e tórax, seja para a própria cirurgia ou caso seja necessário algum procedimento de emergência.

Uma vez que o paciente trocou de roupa e vestiu o avental, ele geralmente é levado à sala de cirurgia e deita sobre a mesa cirúrgica. Em seguida colhem se algumas informações finais, é apresentada a equipe cirúrgica e o anestesista aplica a anestesia adequada. Em alguns casos usa-se um bloqueio do membro, onde a anestesia é aplicada próximo a axila ou próximo à virilha para anestesiar somente um braço ou perna. Outras vezes utiliza-se uma anestesia raquimedular, que é aplicada entre duas vértebras da coluna. Em ambos os casos o paciente fica acordado ou recebe um sedativo para dormir. Em alguns casos, é necessária uma anestesia geral, em que o paciente é levado até um estado de sono profundo em que ele não sente dor. Nesses casos geralmente o paciente precisa ser entubado (coloca-se um tubo na sua garganta que é ligado a um respirador, que mantém a respiração do paciente). Além disso ele costuma receber uma sonda para recolher a urina.

Bom, enquanto o paciente está sendo anestesiado, a parte da equipe cirúrgica que vai estar participando diretamente da cirurgia está lavando as mãos nos lavabos presentes no corredor do bloco. Há toda uma técnica correta para se lavar e enxaguar as mãos e o ideal é que sejam gastos pelo menos 5 minutos no processo. Em seguida, as mãos são secas e a cada profissional veste o avental cirúrgico estéril e luvas. Em cirurgias de médio porte, geralmente 3 a 5 profissionais estão em em volta do paciente: o cirurgião principal (geralmente a direita do paciente), o instrumentador (ao lado do cirurgião principal - sua função é fornecer os instrumentos durante a cirurgia), o primeiro auxiliar (geralmente do lado esquerdo do pacitente - sua função é ajudar o cirurgião princial) e as vezes o segundo e até um terceiro auxiliar. O anestesista fica próximo a cabeça do paciente monitorando os aparelhos e mantendo a anestesia na dose correta. Há ainda na sala uma enfermeita circulante, cuja função é auxiliar os outros profissionais durante a vestimenta do avental estéril e também fornecer fios, agulhas e outros materiais necessários durante a cirurgia.

Uma vez que o paciente esteja devidamente anestesiado, um dos cirurgiões faz a antisepsia (desinfecção) de uma ampla área em volta do local da incisão (corte na pele). Em seguida colocam se vários panos estéreis em volta do local da incisão, deixando apenas um quadrado de pele exposto. Geralmente coloca-se uma espécie de cortina entre o campo cirúrgico e a cabeça do paciente. Uma vez tudo pronto, o cirurgião pode iniciar a cirurgia propriamente dita. A partir daí cada cirurgia é diferente. Após tudo terminado, cabe ao cirurgião fazer a revisão de tudo para ver se não existe nenhum sangramento ou compressa que ficou dentro do paciente e então fechar a ferida e fazer o curativo.

Após a cirurgia o paciente é levado à sala de recuperação onde se recupera da cirurgia e se tudo estiver em ordem, vai para o seu apartamento ou para casa.

NOTA: os procedimentos e as informações aqui prestadas podem variar de acordo com o hospital e a equipe cirúrgica!


* Manuel Schutze é estudante de medicina na UFMG e escreve regularmente no Espaço Saúde. Saber mais sobre este autor.

Referências bibliográficas

- MONTEIRO, E. L. C. e SANTANA E. M. Técnica Cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Pg. 269-336.

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